Quando falamos em diversidade, a questão-chave é: “Será que somos iguais uns aos outros?” A resposta óbvia é “Não”.
Se somos diferentes uns dos outros, não podemos pensar que as outras pessoas vão ter a mesma forma de pensar, vão ter os mesmos comportamentos, ou vão se comunicar da mesma forma como nós nos comunicamos e como recebemos e processamos a informação. Então, quanto melhor conhecermos essas diferenças, melhor conseguiremos fazer a nossa comunicação realmente ser efetiva.
Neste artigo, trago para nossa apreciação, dois fatores que estão muito presentes em nosso dia a dia: a diferença de sexo e de idades.
Homens e mulheres são diferentes: anatomicamente diferentes, mas também cerebralmente diferentes. E por que eu falo tanto em cérebro? Porque nós somos o que o nosso cérebro nos faz ser! A comunicação é uma capacidade cognitiva, ou seja, uma capacidade cerebral. E foi a evolução do nosso cérebro que fez com que alcançássemos uma capacidade de nos comunicarmos que nenhuma outra espécie ainda alcançou.
Então, homens e mulheres, além de terem um corpo diferente, tem o cérebro diferente. E isso vem desde o tempo das cavernas, dos nossos ancestrais. Homens e mulheres ancestrais tinham funções diferentes na sociedade e, consequentemente, desenvolveram capacidades diferentes.
Lá na savana, os homens eram caçadores. Eles tinham que que sair da caverna e o mais rapidamente possível precisavam localizar uma presa, abatê-la e voltar para a caverna com a presa. Isso conduziu o desenvolvimento do cérebro masculino, e tem consequências no comportamento do homem do século 21. Por exemplo, a objetividade de ir rapidamente ao ponto é uma característica típica do sexo masculino.
Outra questão: será que quando os homens iam para a caçada, será que eles iam batendo papo? Não, eles tinham que ir quietos para não afugentar as possíveis presas. Ainda hoje, o homem se comunica menos verbalmente do que as mulheres. São características que surgiram lá no desenvolvimento do nosso cérebro primitivo.
Em contrapartida, as mulheres eram coletoras. Elas ficavam em torno da caverna e tinham que, por exemplo, chegar numa árvore e olhar se aquele fruto já estava maduro, se já estava em condições para comer, se fazia bem, se fazia mal… Então, elas desenvolveram uma grande capacidade analítica, que é tipicamente feminina.
Além disso, a mulher ficava junto com o grupo. Então, ela desenvolveu a capacidade de comunicação e empatia com o outro, já que ela ficava cuidando das crianças, dos mais velhos, e, consequentemente, ela tinha que conversar. Ainda hoje, elas se comunicam mais do que o homem.
Aplicando este conhecimento… Meninas, se o homem de vocês chegar em casa e vocês perguntarem se está tudo bem, e ele disser sim, pronto, é isso. Está tudo bem, ele não precisa dizer mais nada. Meninos, quando vocês chegarem em casa e perguntarem para suas mulheres se está tudo bem, e elas começarem a narrar o dia delas e tudo o que fizeram, fica tranquilo, escuta, deixe-a falar, porque é uma necessidade que ela tem de se comunicar.
Para sumarizar, listei aqui as principais diferenças na comunicação entre homens e mulheres, mas antes quero ressaltar algo importante: as diferenças de comunicação não se aplicam a todos os indivíduos, pois cada pessoa é única e pode se comportar de maneira diferente.
Além disso, as diferenças de comunicação podem variar de acordo com o contexto cultural e social, por isso o que eu trago aqui é uma proposta para pensarmos juntos sobre essas diferenças, em que caso se aplicam e o mais importante de tudo, como usar esse conhecimento ao seu favor na hora de se comunicar.
| HOMENS | MULHERES |
| Estilos de Comunicação | |
| Comunicação mais direta e objetiva, enfatizando a solução de problemas e evitando expressar emoções de forma aberta. | Comunicação mais detalhada e descritiva, focando em conexões emocionais e expressando emoções com mais frequência. |
| Uso da Linguagem | |
| Linguagem mais direta e objetiva, focando em fatos e informações concretas. | Linguagem mais rica em detalhes, adjetivos e descrições emocionais. |
| Objetivo da Comunicação | |
| Resolver problemas e atingir objetivos práticos, focando em soluções e ações | Conexão emocional e compartilhamento de experiências pessoais, buscando estabelecer relacionamentos e construir intimidade. |
| Comunicação Não Verbal | |
| Postura mais rígida e podem ser menos expressivos em relação à linguagem corporal. | Mais expressivas em sua linguagem corporal, gestos e expressões faciais. |
Como estamos vivendo cada vez mais, tendo mais longevidade, está ficando cada vez mais comum no mesmo ambiente – seja ele ambiente de trabalho, seja um ambiente social – termos a presença de pessoas de diversas idades, de diversas gerações. E quando a falamos em gerações, estamos falando das diferenças de condições sociais, quando essas pessoas nasceram e foram criadas, ou seja, de forma diferente do que abordei anteriormente com relação ao sexo, que é biológico, aqui temos uma influência do meio.
Muito destas diferenças se deve ao acesso às atuais tecnologias, em especial da interação com os meios digitais, mas não se restringem apenas a isso. Também estão presentes na construção das diferenças as crenças e valores priorizadas em cada uma das gerações.
Hoje temos um ambiente multigeracional. E é importante que saibamos identificar as diferenças para tratar com as diferentes gerações de forma efetiva em nossa comunicação. Na sequência apresento um resumo das principais características de comunicação de cada geração. As datas apresentadas são apenas referência para localizarmos cada uma delas no tempo, não sendo restritivas, apenas indicativas.
Os Baby Boomers, nascidos do pós-guerra, até o início da década de 60 (1946 – 1964), preferem a comunicação formal e estruturada, valorizando mais e-mails, memorandos e reuniões presenciais. Essas pessoas têm apreciação por interações presenciais e telefonemas, priorizando o contato direto para discutir assuntos importantes. Tendem a evitar mensagens curtas e informais, preferindo informações detalhadas e bem escritas, com uma linguagem mais polida e profissional, evitando abreviações e emojis.
O pessoal da Geração X (1965 – 1980), grupo no qual me incluo, tem preferência por meios mais tradicionais, como o e-mail, telefonema e reuniões presenciais. Valorizam clareza e formalidade, preferindo mensagens bem estruturadas e sem abreviações. São detalhistas e explicativos, e tendem a fornecer bastante contexto antes de chegar ao ponto principal, evitando informalidades excessivas – não são adeptos de emojis, gírias ou abreviações. Da mesma forma como os Boomers, valorizam interações presenciais e preferem discutir assuntos importantes cara a cara.
Já a Geração Y ou Millennials (1981 – 1996) têm uma comunicação multicanal, ou seja, usam e-mail, WhatsApp, Teams, redes sociais e telefonemas só quando necessário. Têm um tom mais flexível, equilibrando o formal e o informal conforme a situação. São diretos, mas ainda explicativos: preferem mensagens objetivas, mas sem perder contexto. Adeptos de tecnologia e agilidade, priorizam respostas rápidas e comunicação instantânea, usando emojis e gifs com moderação para tornar a comunicação mais leve e próxima.
Agora chegamos à Geração Z (1997 – 2012). Esta turma é “digital-first”, ou seja, evitam telefonemas e preferem mensagens de texto ou áudios curtos. São extremamente diretos, sintetizando informações ao máximo e preferindo respostas rápidas. Já usam intensamente emojis, memes e abreviações, expressando-se de forma visual e informal. Demonstram impaciência com explicações longas, e se a mensagem for longa, provavelmente não será lida até o final. Também preferem comunicação assíncrona, não gostam de reuniões longas ou chamadas inesperadas.
Essas diferenças explicam por que tantas vezes a comunicação entre gerações tem ruídos. O segredo está em adaptar a forma de comunicação ao público para garantir clareza e engajamento.
Montei uma tabela para mostrar como cada geração enxerga e pratica a comunicação, o que pode ajudá-lo a entender os desafios no ambiente corporativo. O segredo para evitar ruídos é flexibilidade e adaptação ao público!
| Característica | Baby Boomers | Geração X | Geração Y (Millennials) | Geração Z |
| Meio preferido | Memorandos, reuniões, telefone | E-mail, telefone, reuniões presenciais | WhatsApp, e-mail, Teams. | WhatsApp, áudios curtos |
| Tom | Muito formal e polido | Formal e estruturado | Flexível (entre formal e casual) | Informal e direto |
| Tamanho das mensagens | Longas e detalhadas | Detalhadas, mas objetivas | Diretas, mas com contexto | Curtas e objetivas |
| Uso de emojis e gírias | Nunca | Quase nunca | Moderado, dependendo do ambiente | Muito comum |
| Reação a ligações telefônicas | Preferem chamadas para resolver assuntos importantes | Gostam para situações importantes | Aceitam quando necessário | Evitam ao máximo |
| Forma de interação | Presencial e hierárquica | Preferem reuniões presenciais para assuntos importantes | Equilíbrio entre online e presencial | Preferem mensagens rápidas e digitais |